DIOCESE
DE PATOS

Porcelanato Presbiteral do Pe. Ronaldo

Fui instigado a rebobinar minha memória para num passado não tão distante e refazer uma cena que marcou a minha história e a minha percepção vocacional.

Pela primeira vez o jovem menino que se achegara no convívio eclesial, testemunharia com seus olhos uma Solene Concelebração de Ordenação Presbiteral.

Sim, o primeiro passo seria a viagem rumo à vizinha cidade de Malta e então eu àquela altura com 12 anos estava não perdido no templo em meio aos doutores, contudo estava ali com a missão de cantar, de emprestar minha aguda voz ainda em formação para formar o belo coral.

Aquele coral bem vestido, de pasta na mão e com a participação especial do Diácono Rui Braga, atual Pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves em João Pessoa, elevou um hino que ecoou nos quatro cantos da pequena cidade orgulhosa de ter um filho seu sendo ordenado presbítero para a Igreja de Jesus Cristo.

Foi assim que presenciei aquela memorável noite na vida do Diácono José Ronaldo Marques da Costa que através da imposição das mãos e prece de ordenação do Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Gerardo Andrade Ponte (in memoriam) e com a presença de dezenas de padres do clero e convidados foi revestido do sacramento da Ordem no grau presbiteral.

Meus curiosos olhos fitaram em uma cena específica o estrito momento em que morria o homem comum e nascia o homem de Deus, o sacerdote, o padre, o administrador dos bens espirituais.

Pela primeira vez e dizem que a primeira vez ninguém nunca esquece contemplei o abraço acolhedor entre o “Bispo e o Padre”, não era um simples abraço, não era mais um, era o “abraço”, senti um odor paternal naquele gesto jamais visto e penso não mais repetido, havia afeto sincero e mútuo, uma acolhida, um cordão umbilical vocacional inquebrantável.

Pois bem quis a providência divina passados 20 anos novamente no seio da mãe Igreja, já não mais o jovem Diácono José Ronaldo, entretanto agora o Reverendíssimo Pe. José Ronaldo Marques da Costa, digno pároco da Paróquia Catedral de Nossa Senhora da Guia e Vigário Geral da Diocese eleva uma prece de ação de graças por seu porcelanato presbiteral.

A porcelana escolhida para representar as Bodas Sacerdotais de 20 anos traz consigo uma simbologia peculiar visto que ao mesmo tempo é frágil, delicada passa por um processo minucioso até assumir sua face límpida e encantadora.

Usufruindo do princípio da analogia não é demais afirmar que o Reverendíssimo Pe. José Ronaldo Marques apresenta características homônimas à porcelana, pois a sua gentileza, seu senso de humanidade se fundem com o administrador firme e exigente no tocante as coisas relativas à sagrada liturgia ou à missão âmago de seu ministério sacerdotal.

Este ano certamente tem sido decisivo e afirmativo na vida e no dom ministerial do Reverendíssimo Pe. José Ronaldo, as lágrimas que recentemente fecundaram o solo de nossa comunidade paroquial no encerramento da festa de nossa excelsa padroeira, a Virgem Senhora Da Guia foi o externar de uma força descomunal, de uma entrega total  em detrimento de uma dor ou forças ocultas que tentaram paralisar seu trabalho.

O sacerdote dizia Dom Gerardo não se pertence antes ao povo que o Senhor lhe confiou como rebanho, se uma ovelha se perdeu e não qualquer ovelha, mas uma de lã nobre, de raça escolhida caiu no aprisco coube aos seus ombros mesmo chagados, esmagados pela dor, solidariamente transportá-la para as águas tranquilas e o pasto verdejante.

Assim como testemunhei há 20 anos atrás posso ratificar no presente que um fio condutor intransponível e indestrutível perpassa a história e o ministério do Pe. Ronaldo: o amor.

Sim, ele mesmo o amor que o fez deixar sua casa, sua família, abdicar de seus sonhos e projetos pessoais por um bem maior, pelo reino de Deus, e que o faz senão o maior sacerdote do clero desta diocese, certamente o mais feliz e realizado em seu ministério.

Que Cristo, sacerdote por excelência e a Virgem Maria, mãe dos sacerdotes lhes recompense por sua doação, por seu sim comprometido e revigorado a cada instante por seu porcelanato presbiteral.

Texto: Carlos Silva

Foto: Glauber Alves:  – Pascom Diocesena

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