DIOCESE
DE PATOS

Nossa Senhora do Desterro e a Pandemias

Escrevo esta mensagem na condição de um amigo, um irmão na fé, um desterrense, mas, sobretudo, na condição de um devoto de Nossa Senhora do Desterro, nossa excelsa padroeira. Estamos a viver a maior crise sanitária mundial de nossa época, causada pelo Covid-19 (Coronavírus). Neste momento em que escrevo, 50 países já foram alcançados por este mal invisível, porém extremamente danoso. Nações inteiras veem-se nesta crise, inclusive o nosso Brasil.

Ao perceber que esse acontecimento foge de nosso controle, sentimentos como a autossuficiência (não necessito de ajuda), o egoísmo (minhas necessidades em primeiro lugar), a preponderância (sou muito influente, detenho poder) e muitos outros sentimentos que vão contra a fraternidade cristã, caem por terra. Por outro lado, como consequência, batem à nossa porta sentimentos como a angústia, o medo, o abandono, a impotência…

Face a essa grande instabilidade, gostaria de ressaltar aqui três valores, três dons que não se curvam diante de nenhum problema: Fé, Esperança e Caridade (1 Coríntios 13,13). Permitam-me explicar como viver cada uma dessas virtudes nesse tempo.

A FÉ – “Se tiverdes  como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá” (Lc. 17, 6)

Esse elemento tão indispensável a todos nós está presente também na história de nossa cidade, vejamos o que nos diz o ilustre desterrense, o Pe. Antônio Barbosa:  “Consta, de acordo com a tradição, que, nos idos de 1845, a Senhora Silvéria Maria da Conceição fez uma promessa à Nossa Senhora do Desterro, para que, por sua intercessão, fosse desterrada uma epidemia que se abatera impiedosamente em todo o território da Paraíba por ocasião de uma grande seca. Após alcançada a graça, fez D. Silvéria construir uma singela capela dedicada à Nossa Senhora do Desterro”.

Hoje, sabemos que o mal que ameaçava a vida no sertão paraibano era a pandemia da Cólera, responsável por matar milhares de pessoas pelo mundo inteiro. Mas, conforme todos somos testemunhas, a fé venceu. Nossa Senhora atendeu o clamor de sua filha. E é a essa vitória também que se deve o nome dado ao povoado, Desterro, ou seja, território que foi alcançado pelo olhar misericordioso da Virgem e libertado de todo e qualquer mal. Assim sendo, todos nós desterrenses já somos frutos de uma promessa! Todos nós, por meio dos antepassados que, à época, moravam no pequeno povoado, fomos libertados da peste da cólera. Logo, ser desterrense não é algo negativo, muito pelo contrário, é ser testemunha diante das outras cidades e nações da ação da Virgem Maria em nosso querido torrão. Do contrário, não existiríamos, os primeiros moradores teriam sido dizimados e o povo se extinguido.

Eis, pois, diante de nós o surgimento e proliferação do Coronavírus e, com ele, mais uma oportunidade para sermos validos pela infalível intercessão de nossa Padroeira, Nossa Senhora do Desterro.  Aproximemo-nos de sua imagem (através de alguma foto da padroeira que tens em casa ou pelo teu celular), curvemo-nos humildemente e, com um coração contrito e piedoso, peçamos que suas mãos amorosas, novamente, desterrem essa pandemia. Todavia, nossa súplica, desta vez, deve ser ainda mais ousada: a graça que suplicamos – o fim da pandemia – deve abranger não somente o nosso pequeno município, somos chamados a rezar por nossa nação, pelo mundo inteiro.

Roguemos, incessantemente, para que toda a humanidade seja alvo do olhar materno e misericordioso de Nossa Senhora do Desterro e que assim possamos passar ilesos por esta crise e propagar, num futuro bem próximo, mais um prodígio de Deus, por intermédio de tão boa Mãe. Ela, com certeza, nos ouvirá, pois o amor de uma mãe nunca muda, é sempre o mesmo por seus filhos.

ESPERANÇA E CARIDADE – “Vós sois meu abrigo e meu escudo; vossa palavra é minha esperança”. (Salmos 118, 114)

E onde ficam a esperança e a caridade neste itinerário? A esperança será vivida todas as vezes em que apresentarmos com fé essa situação que estamos passando. A fé e a esperança caminham de mãos dadas: não há oração, não há promessa sem a esperança de ser agraciado. Todas as vezes que nos ajoelharmos diante de Deus ou da Santíssima Virgem para pedir o fim da pandemia, seremos testemunhas da esperança. Todavia, tal esperança só será realidade concreta quando, também, estiver aliada à caridade, que, neste contexto, é óbvia: ficar em casa, rezar pelos que combatem a pandemia, evitar sua proliferação e enxergar nos mais vulneráveis, nas pessoas do grupo de risco, o Cristo pobre de cuidado e frágil de amor.

Despeço-me na esperança de que esta mensagem tenha o ajudado a perceber a ação sempre constante de Deus em nossa história. Que seja um sinal de esperança em meio a tanto medo e pânico. Que consigamos ler com fé a História da humanidade e jamais desesperar da misericórdia de Deus. Logo virão os dias em que reunidos em nossas Igreja, cantaremos, como filhos de uma santa Terra, cheios de gratidão, pela ordem e progresso concedidos pela Virgem do Desterro e, com orgulho, poderemos erguer bem alto o pendão da Vitória.

Darlan Alcântara Sousa

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