DIOCESE
DE PATOS

Carta do Bispo Diocesano às Pastorais, às Comunidades e à Sociedade

Patos – PB, Quaresma de 2014

Caríssimos irmãos e irmãs da Diocese de Patos,

Fraterna Saudação!

Há aproximadamente 50 anos a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade e a dispõe num período rico da nossa espiritualidade que é a quaresma, tempo do apelo de Deus para a nossa conversão: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. À luz das realidades que afetam a vida e a dignidade da pessoa humana e, não raramente, na forma de exploração e negação dos direitos que asseguram, sobretudo, a liberdade dos filhos e filhas de Deus, a Igreja propõe um caminho de superação através de uma conscientização, de um olhar crítico sobre a realidade que pode ser clareada pela Palavra de Deus que nos aponta um agir favorável à restauração da vida atingida e explorada debaixo dos mais inaceitáveis interesses de lucro e de ganância.

Com o tema: “Fraternidade e tráfico humano” e iluminado pelo lema bíblico: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, queremos nos engajar e colaborar para que a Campanha da Fraternidade de 2014 atinja o seu objetivo: “Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e pessoas de boa vontade para erradicar este mal com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus” (Texto base da CF/2014). À Luz da Palavra de Deus devemos identificar as situações que se configuram como tráfico humano e encontrar a forma de denunciar o que já acontece. Não podemos deixar de promover ações preventivas, isto é, evitar que o crime organizado se torne algo normal e aceitável em nossa sociedade onde crianças, jovens, idosos, trabalhadores e trabalhadoras se tornam objetos do lucro desonesto e de toda exploração desses irmãos e irmãs. Penso ainda na importância dos políticos e do poder público que têm um papel fundamental no processo de reintegração dessas pessoas atingidas pelo tráfico humano.

As comunidades, as Pastorais, todos os serviços da evangelização não podem se ausentar desse tema e dessa realidade que está perto de todos nós. Vamos rezar, vamos seguir os passos de Jesus que continua sendo ultrajado em cada um daqueles e daquelas que são arrastados para o submundo da prostituição, da escravidão nos moldes de hoje, enganados por falsas promessas de prosperidade. A Cruz de Cristo é uma realidade que se apresenta nos vários rostos atingidos pela dura e dolorosa situação de tráfico de pessoas.

Como nos aconselha o Papa Francisco: “A igreja deve sair ao encontro dos que estão nas periferias existenciais”. Os discípulos e discípulas de Cristo não podem seguir em frente pela estrada sem ver e sem socorrer os caídos e assaltados pelo sistema de morte que vê o lucro como maior valor em detrimento da Vida que Deus quer para todos – “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância”. (Jo.10,10)

Finalmente desejo que a quaresma, tempo de profunda espiritualidade da Cruz, nos impulsione sempre mais na esperança de que um mundo novo é possível desde que acolhamos o apelo de Deus _ “Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lagrimas e gemidos, rasgai o vosso coração e não as vestes” (Jl.2,12-13). Assim celebraremos a Páscoa que é a realidade da vida plena que o Senhor nos deu quando se entregou pela salvação do mundo.

Desejo a todos e todas uma proveitosa quaresma e uma Santa Páscoa.

Na liberdade dos filhos e filhas de Deus concedo a todos uma bênção especial,

 Dom Eraldo Bispo da Silva

Bispo Diocesano

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