DIOCESE
DE PATOS

Tempo Pascal: O que é? Por quê?

“Nós somos cidadãos dos céus. É de lá que

ansiosamente esperamos o Salvador,

o Senhor Jesus Cristo, que transformará

o nosso coração abatido, tornando-o semelhante

ao seu corpo glorioso”

Páscoa, do hebraico Pessach, e do grego Páscoa, significa passagem. É a maior e a mais importante festa da Cristandade, quando se celebra a Ressurreição de Jesus Cristo.

A palavra Páscoa é mencionada pela primeira vez quando Deus liberta os israelitas do poder do Faraó, no Egito (Ex. 12,7-14). O sangue do cordeiro pascal, nas portas das casas dos hebreus, era um sinal de que eles não seriam atingidos pela morte. A Páscoa deveria ser celebrada como um mandamento perpétuo, festejando a libertação de Israel de Egito.

No Novo Testamento o simbolismo muda, porque temos o filho de Deus sendo sacrificado por nós. Ele é o Cordeiro da Páscoa e seu sacrifício vale por toda a eternidade. Se tivermos pecado, mas nos arrependermos sinceramente, o Sangue de Cristo será “usado” para nos limpar por completo. Seu sangue está sempre à disposição para todos os arrependidos, e para sempre.

Para algumas pessoas, a Páscoa pertence ao mundo do coelhinho da Páscoa e a reuniões familiares, sendo celebrada como uma combinação do secular com o sagrado. Mas para nós, cristãos, o objetivo da Páscoa é celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Compreender a Páscoa numa perspectiva cristã é de vital importância, é crucial para os que creem em Jesus Cristo. Paulo escreve aos filipenses: “Nós somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do seu poder de sujeitar a si todas as coisas” (Fl. 3,20-21).

O primeiro registro da celebração da Páscoa está em conexão com a visita de Policarpo (bispo de Esmirna) a Aniceto (o bispo de Roma), em 154, a fim de chegarem a um acordo sobre o tempo da Páscoa. Policarpo representava o costume mais antigo de observá-la com uma vigília, terminando com a Santa Ceia, durante a noite de 14° dia do mês de nisã (calendário judaico), como a Páscoa judaica, independentemente do dia da semana. Aniceto representava o costume romano de celebrar a Páscoa no domingo. Eles não chegaram a um acordo e continuaram cada um com sua prática. O problema se tornou tão grave que foram realizadas reuniões por volta do ano 190, e decidiram que a Páscoa seria comemorada sempre no domingo. Em 314, o Concílio de Arles sugeriu que o Bispo de Roma indicasse a data anual da festa para todas as igrejas. Mas foi no Concílio de Niceia (325) que se estabeleceu uma data única para a festa da Páscoa. As demais práticas foram desaparecendo e a legislação civil contribuiu para isso. Uma lei de 413 punia com o exílio quem celebrasse a Páscoa fora da data estabelecida pela Igreja.

Hoje,, nós celebramos a Páscoa durante 50 dias, iniciando no Domingo da Ressurreição e finalizando no domingo anterior ao Dia de Pentecostes (50 dias após a Páscoa). A primeira semana da Páscoa e é celebrada como uma única grande celebração. Os domingos do Tempo Pascal são chamados Domingos da Páscoa e não mais Domingos depois da Páscoa. Esse Tempo é o mais importante do Ano Litúrgico e todo o calendário cristão gira em torno da Páscoa.

Mas a celebração da Páscoa não se esgota no tempo pascal. Páscoa é um novo dia que ainda dura. No evangelho (Lucas, 24), o dia da Páscoa é o mais longo do ano. É um dia que não termina. É uma história que não termina. Após a Ascenção de Jesus, sempre no mesmo dia, os discípulos voltavam ao templo para bendizer a Deus (Lc 24,52-53). O que Lucas quer que compreendamos é que a Páscoa é uma nova aventura, um novo dia para a Igreja, que é sinal da presença do Ressuscitado através dos seus discípulos, os cristãos de todos os tempos. Essa aventura não termina; ela continua na Igreja de hoje. É um dia novo que ainda dura… Nós estamos sempre no domingo de Páscoa! E todos os domingos são uma celebração da Páscoa de Cristo.

Revista Brasil Cristão, edição do mês de abril de 2013.

Texto: Pe. Francisco Sehnem, csj

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